Segundo ele, este é o sexto portal de atendimento psicológico on-line no Brasil.
“Esse projeto é inédito no Brasil por isto não tenho feito muitos atendimentos. Até agora, apenas três pessoas entraram em contato, acho que elas ainda são descrentes com este tipo de atendimento”, afirma Régis. Os três pacientes que Régis atendeu pela Internet são do interior do Paraná e São Paulo.
“Os atendimentos pela Internet não têm efeito terapêutico. São orientações via e-mail ou chat, com ou sem uso de webcam e microfone para conversa por voz, ou apenas trocas de mensagens digitadas. Os atendimentos pela Internet têm a finalidade de orientar. Já a prática convencional em clínicas ou consultórios tem efeito terapêutico, onde existe um processo que pode durar dias, semanas, meses ou até alguns anos”, salienta.
O Conselho Federal de Psicologia regulamenta o atendimento via computador através de duas resoluções a 003/2000 e a 010/2003. “Essas resoluções foram aprovadas após várias discussões e elas regulamentam o atendimento psicológico mediado pelo computador, sem caráter psicoterapêutico, e também a psicoterapia pela Internet, sendo que essa só pode ser realizada como pesquisa científica, cujo protocolo tenha sido aprovado por um comitê de ética em pesquisa, reconhecido pelo Conselho Nacional de Saúde”, explica Régis.
Ele conta que quem entra no portal e quer consultar precisa preencher um formulário com todos os dados e enviar ao psicólogo. No entanto, em quatro meses de funcionamento, o portal enfrenta dois problemas: os pacientes não se preocupam com a continuidade do tratamento e a forma de pagamento.
“Muita gente preenche o formulário com a intenção de fazer a consulta e depois não entra mais em contato”.
Regis afirma que ainda não levou calote por consulta via Internet, mas teve que mudar a forma de pagamento.
“Antes eu não sabia quando ia receber, por isso, agora, as pessoas precisam pagar no momento em que preenchem o formulário e quando fazem o agendamento”, explica.
“A partir do momento em que este sistema for divulgado mais no Brasil os pacientes vão ter mais confiança e vão procurar com maior freqüência o atendimento virtual”, explica Régis.
Atendimento on-line em Ribeirão
Os profissionais de saúde Ribeirão Preto também acompanham a evolução da tecnologia. A Internet já tem vários adeptos. É o caso do dentista e psicoterapeuta Rodrigo Nogueira. Primeiro ele criou um mini-portal para divulgar sua atividade profissional e depois começou a orientar os pacientes através de e-mails.
“Eu descobri a Internet há oito anos como forma de divulgar os meus cursos. No mini-portal passo informações sobre as doenças. Esta é uma forma de dar segurança para quem nos procura”, enfatiza Nogueira.
No entanto, ele afirma que o atendimento virtual não pode substituir a consulta e o contato pessoal com o profissional da saúde.
“Eu ainda acho que a parte pessoal é mais importante que a virtual porque nada substitui o contato direto, a gente ver paciente. O profissional que trata tudo pela Internet corre o risco de negligenciar o paciente”.
Depois do primeiro contato pessoal, Nogueira tira dúvidas dos pacientes via e-mail e quando a pessoa quer saber mais detalhes do tratamento pode entrar em contato com ele através das salas de bate-papo.
“Estas salas são restritas e têm senhas. O paciente entra no horário que eu determino, mas quero deixar claro que isto não substitui o atendimento no consultório”.
Desde que montou o mini-portal, Nogueira recebe cerca de 180 e-mails por dia de pacientes que querem tirar dúvidas sobre doenças. “As mais freqüentes são assuntos psicológicos”.
CRM e a Internet
O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, Isac Jorge Filho, diz que o atendimento médico via Internet é irregular.
“Ninguém pode dar atendimento sem ver o paciente pela mesma razão que não pode prescrever pelo telefone, mesmo se for atendimento psicológico”, diz.
“Existem estudos a respeito da telemedicina no Conselho Federal de Medicina. Acreditamos que quando existirem mecanismos capazes de zelar pela confidencialidade das comunicações pela Internet é possível implantar alguma coisa neste sentido”, explica.
Nos Estados Unidos já é comum o atendimento médico pela Internet. A maioria dos médicos norte-americanos responde as dúvidas dos pacientes via e-mail.
A iniciativa é apoiada pelos planos de saúde que já decidiram pagar os profissionais para responder a consultas por e-mail.
Eles usam como argumento que as consultas on-line podem beneficiar pacientes que têm asma, diabetes, problemas cardíacos, isto é, doenças crônicas.
Fonte: Jornal A Cidade
http://www.jornalacidade.com.br/geral/ver_news.php?pid=34&nid=25693
[04/08/2005] Ano: 100 Número: 178