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As motivações para a busca das drogas

O uso de substâncias psicoativas sempre fez parte da história da humanidade. Toda a sociedade é consumidora de drogas, seja por razões antropológicas, política, religiosa ou psicológica. O homem aprendeu a cultivar e preparar substâncias psicoativas, sob a forma de bebidas fermentadas ou destiladas ou em infusão, ou aspirada e usada como cigarro ou cachimbo. Como manifestação e expressão de um fenômeno cultural o seu uso em sociedade estava circunscrito e reservado a festividades de ordem religiosas e rituais comemorativos.
O homem buscou substâncias e produtos para aliviar a dor, alterar o estado de consciência e do registro de sensações, percepções e humor.

As motivações fundamentais para a busca das drogas são:

1. Aliviar a dor física, pelo entorpecimento e pela função tranquilizadora e ansiolítica;

2. Superar a angústia existencial e escapar à consciência da transitoriedade;

3. Buscar a transcendência e entrar em contato com as forças sobrenaturais;

4. Obter prazer, pela busca deliberada de alteração do estado de consciência, através de experiências e cultos.

Na sociedade pós-moderna, a ideologia capitalista baseada no lucro transformou as drogas em produtos de consumo, e sendo drogas legais apenas o álcool e o tabaco, em torno das outras drogas, as ilegais, organizou-se toda uma complexa estrutura de produção e distribuição, onde surgiu a figura do traficante. Paralelamente, o progresso crescente tecnologia ofertaram ao homem contemporâneo uma série de produtos para o seu conforto e comodidade. Toda essa situação produziu mudanças no psiquismo do homem, fruto de uma insatisfação crescente, que o leva a buscar a vivência da imediatez, a sensação de máxima perfeição e de comodidade. A globalização advinda com a era da informação rápida e organizada transformou os “todos nós” em “ninguém” determinando um intenso narcisismo e uma forte fuga e intolerância às frustrações. Vivendo em conjunto num paradoxal mundo isolado, o homem contemporâneo “consome” e “se consome”, vivendo sem perspectivas existenciais e vivendo a era do descartável.

Tudo isso leva à droga, pois sem sólidos valores morais e espirituais, muitas pessoas têm buscado como alternativa, a ilusão, a embriagues e o entorpecimento do álcool e das drogas.

A dependência do álcool e outras drogas é uma doença insidiosa que se instala lentamente. É progressiva, crônica e incurável podendo levar à morte. Essa evolução passa por alguns estágios: primeiramente, o usuário ou bebedor social, que não apresenta problemas em relação às drogas e nem se torna dependente. Entretanto, este estágio pode ser o primeiro passo para o segundo estágio: a pessoa desenvolve tolerância, necessitando cada vez doses maiores para alcançar os mesmos efeitos e já apresenta problemas decorrentes ao abuso, como acidentes de trânsito, brigas e conflitos familiares ou no trabalho. O terceiro estágio é o estabelecimento da dependência, aonde a pessoa soma aos problemas psicossociais os problemas clínicos da dependência, onde necessita da droga para sentir-se bem e a interrupção do uso causa sintomas característicos da síndrome de abstinência.

Gilka Correia, Crp-08-755, é Psicóloga Clínica, Especialista em Sexualidade Humana e Dependência Química. email.: gilka.correia@terra.com.br

Agradecimentos à Psicóloga Gilka Correia por permitir a reprodução dos seus artigos científicos no site Atlaspsico. Obrigado!
Márcio Roberto Regis - Webmaster

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