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Sexualidade nossa de cada dia...
A SEXOLOGIA, como campo específico de estudo
e saber, é recente. Tomou corpo a partir de 1950, com os
relatórios pioneiros de Alfred Kinsey
e os trabalhos científicos de Masters e Johnson.
O conceito de sexo ampliou-se para "sexualidade", considerada
um elemento presente em todas as etapas do desenvolvimento do ser
humano. Voltemos ao significado primitivo da palavra: O que significa
SEXO? Do latim "Secare",
com as derivações "sectus"- "sexus",
sexo significa aquilo que corta, que separa, conformação
particular que distingue o macho da fêmea. Este é o
primeiro critério da diferença sexual. Entretanto
outros critérios estão intrinsecamente relacionados
com a diferença, no bojo do conceito de sexo. O segundo critério
é a idéia da formação de um casal que
se une num intercurso sexual. O terceiro critério, diz respeito
aos dois primeiros, é a dimensão que em decorrência
dos dois primeiros, re-une o homem e
a mulher na função da reprodução. Em
sentido amplo, a SEXUALIDADE tem três
dimensões: uma que nos separa, outra que nos une e outra
que nos re-une. A SEXOLOGIA é então, o estudo
científico do potencial da diferença.
A abordagem da sexualidade envolve a diferença anatômica,
o papel social de gênero, a afetividade, emoções
e sentimentos que criam laços entre as pessoas. Assim sendo,
a sexualidade pode ser entendida como "algo" que surge
dentro de todo organismo normal, desenvolve-se desde o nascimento
até a morte e manifesta-se de varias formas nas diferentes
faixas etárias, mas é sempre presente, se nada vier
bloquear a sua caminhada. Durante muito tempo silenciada e alvo
de tabus, nas últimas décadas vêm passando por
grandes mudanças, reforçadas pelo clima de liberação
da censura e dos costumes. A mídia explora, de forma sensacionalista,
o aspecto físico e mais superficial de uma sexualidade descompromissada
e descartável. Em função disso, multiplicam-se
os questionamentos de pais, educadores, crianças, adolescentes
e casais, sobre os valores e atitudes relativas à sexualidade,
bem como a respeito da ética, que orienta os padrões
sociais de conduta. Como ciência humana e social, é
de interesse e devem dar conta dela, biólogos, antropólogos,
médicos, psicólogos, sociólogos, juristas,
religiosos e educadores, enfim, todos àqueles que se propõem
a ser "cuidadores" do bem estar individual ou coletivo
das pessoas.
Entretanto, falando de algo tão natural, não se trata
a sexualidade de forma saudável. É facilmente abordada
na iconografia das pixações de paredes, em anedotários,
ditos populares e na literatura marginal. Com isso, o que se consegue
é a transmissão incorreta e banalizada. As crianças
aprendem sobre sexualidade com seus pares; pesquisam, investigam
e experimentam sigilosamente e às escondidas. Ao nos omitirmos
de discutir sobre o assunto, passamos para as crianças e
adolescentes a visão dissimulada com que lidamos com a sexualidade
e ainda reforçamos a aprendizagem às escondidas. Crianças
e adolescentes, pais e educadores, seguem suas trajetórias
em caminhos paralelos, com duas versões da sexualidade: a
científica e a vulgar. Ambos enganados e equivocados...
E assim vem caminhando a sexualidade, erigida em tabus. E como o
destino de todo tabu é ser violado, assim vem acorrendo,
tendo como sub-rogada a armadilha ideológica da ignorância,
do proibido, do silêncio, do medo e da culpa. Todas essas
situações podem vir a causar conflitos e distúrbios
na sexualidade da vida adulta, pois a clínica demonstra que
sempre é na dinâmica da história de vida infantil
que vamos buscar as suas causas.
Em função da vasto campo do saber e da complexidade
no trato do assunto, o Sexólogo possui vários
campos de trabalho e atuação profissional: educação
sexual, orientação a adolescentes, terapia individual
e terapia de casais.
Como a criança desenvolve a consciência de
ser menino ou menina?
A estruturação da personalidade da criança,
inicia-se com o reconhecimento de si mesmo e a formação
da sua identidade. Constrói-se num processo simbiótico
de aprendizagem com as figuras parentais, em interações
entre o sujeito e o meio ambiente, até expressar-se em comportamentos,
atitudes e sentimentos sobre o seu "eu".
A identidade sexual é um componente importante desse processo.
A diferenciação física entre menino ou menina,
inicia-se na concepção com a definição
do sexo biológico. Prossegue na gestação; numa
interação entre fatores cromossômicos, gonádicos
e hormonais. Complementa-se, por acréscimo, com fatores sociais
e culturais, quando a criança absorve do meio ambiente os
padrões e estereótipos de comportamento que compõem
o papel de gênero na nossa sociedade. Portanto, "identidade
sexual é a consciência íntima de ser menino
ou menina e está completa até os três ou quatro
anos. A partir daí, a história de vida de
meninos e meninas segue caminhos diferentes.
Gilka
Borges Correia (CRP 08/0755) é graduada em Filosofia, Psicologia,
Especialista em Psicologia Clínica e Hospitalar, Sexualidade
Humana e Mestre em Educação.
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